O deputado Laerte do Vando (Podemos) lastimou, por meio de moção de pesar protocolada na Assembleia Legislativa da Bahia, o falecimento do amigo e colega de plenário, Alan Sanches (UB), aos 58 anos, ocorrido no último sábado, 17 de janeiro, em Salvador. A notícia, segundo o legislador, foi recebida com perplexidade, “uma partida repentina e … Leia Mais
Comoveu a todos os presentes o ato de despedida do deputado Alan Sanches no Salão Nobre da Assembleia Legislativa, pequeno para comportar as mais de mil pessoas que lotaram o local. Autoridades, amigos, familiares, correligionários e eleitores que ocorreram ao local – suportando fina garoa na rampa de acesso ao Palácio Deputado Luís Eduardo Magalhães, … Leia Mais
Provocou comoção a toda a comunidade da Assembleia Legislativa o precoce falecimento do deputado Alan Sanches (UB), vitimado por um enfarte aos 58 anos, no final da manhã de hoje (17.01), em sua residência. A presidente Ivana Bastos decretou luto oficial de 3 dias e disse que a Bahia está de luto, diante da grande … Leia Mais
A presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), deputada Ivana Bastos, lamentou o falecimento do deputado estadual Alan Sanches, do União Brasil, aos 58 anos, neste sábado, em Salvador. “A Bahia está de luto. É uma grande perda para a política baiana e brasileira, já que ele se preparava para disputar uma cadeira na Câmara … Leia Mais
Tablets vão ampliar acesso à tecnologia educacional para estudantes do Ensino Médio da rede estadual em 2026 Foto: Memo Soul/SEC A Secretaria da Educação do Estado (SEC) publicou no Diário Oficial do Estado (DOE), desta quinta-feira (15), a Portaria nº 071/2026, que estabelece as diretrizes para a distribuição de tablets aos estudantes do Ensino Médio … Leia Mais
“Atitude que transforma”. É com essa missão que, há nove anos, o Instituto Assembleia de Carinho (IAC) desenvolve ações sociais vinculadas à Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Em 2025, sob a gestão de Tanisia Cunha, empossada para o biênio 2025-2026, o instituto viabilizou 72 atividades, entre campanhas e projetos voltados a instituições parceiras, como a Associação de Amigos do Autista (Ama-Ba) e o Hospital Martagão Gesteira.
Criado com o propósito de aproximar a política da vida das pessoas, por meio do voluntariado apartidário, o IAC tem como principal objetivo humanizar o Legislativo e fomentar a filantropia em todo o estado. Para Tanisia Cunha, 2025 representou mais do que um período administrativo: foi um ciclo de renascimento.
“Assumir a presidência do IAC tem sido um dos maiores desafios e, ao mesmo tempo, uma das experiências mais gratificantes da minha vida e carreira. Sinto-me plenamente à vontade nesta missão, especialmente por contar com o apoio total da presidência da Casa, que nos deu carta branca para imprimir nossa identidade ao projeto”, afirmou.
Tanisia comparou esses primeiros nove meses de trabalhos a uma verdadeira gestação. “Foi um período de criar, amadurecer e dar uma nova cara à Assembleia de Carinho. Embora o Instituto já exista há oito anos, trabalhamos intensamente para consolidá-lo como o braço social da ALBA, humanizando ainda mais nossas ações”, reforçou.
As atividades de 2025 tiveram início em abril, com uma visita à Ama-Ba, com o objetivo de identificar as principais demandas da instituição. Na ocasião, em celebração à Páscoa, as crianças atendidas foram presenteadas com doces e chocolates. No mesmo período, Tanisia e a vice-presidente do IAC, Ariane Couto, visitaram a Associação de Pesquisa e Ensino Solidário (Apes/BA), referência em educação inclusiva para crianças e adolescentes com deficiência intelectual e Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Ao destacar a parceria com a vice-presidente, Tanisia ressaltou o caráter transformador do trabalho voluntário. “Nesta jornada, a parceria com Ariane tem sido fundamental. Como ela costuma dizer, muitas vezes iniciamos uma ação achando que vamos ajudar, mas somos nós que saímos ajudadas. Esse crescimento é fruto de um trabalho conjunto. Hoje, a Assembleia de Carinho tem a nossa cara, minha e de Ariane”, declarou.
INICIATIVAS E CAMPANHAS
No mês de maio, dedicado às mães, foi lançada a iniciativa “Enxoval de Carinho”, que arrecadou itens para bebês e kits de higiene para genitoras em situação de vulnerabilidade. O período também marcou a estreia do programa “Assembleia de Carinho na TV”, exibido pela TV ALBA, com espaço fixo voltado à divulgação de causas sociais. Ainda em maio, Tanisia Cunha foi uma das 50 mulheres homenageadas na 26ª edição do Prêmio Mulher que Faz a Diferença na Comunidade e Sociedade.
Em junho, o IAC lançou a campanha “Carinho para a Melhor Idade”, com doações recorrentes de materiais de higiene, limpeza e alimentos para abrigos de Salvador, como o São Gabriel e o Lar Projeto de Deus. Paralelamente, promoveu Feiras Agroecológicas na ALBA, incentivando a agricultura familiar baiana, com apoio dos deputados da Casa.
Já em julho, o engajamento da equipe garantiu ao Instituto o primeiro lugar na venda de ingressos para a 5ª edição da Feijoada do Amor, em benefício do Grupo de Apoio à Criança com Câncer (GACC). O segundo semestre teve início com a doação de mais de 200 caixas de biscoitos a instituições parceiras. Em agosto, o IAC aderiu à campanha virtual “Agosto Lilás”, reforçando a conscientização sobre o combate à violência contra a mulher.
Setembro foi marcado pela campanha “Gotas de Carinho”, voltada ao atendimento de pessoas em situação de rua, com distribuição de água e cobertores, além da realização do 1º Simpósio de Educação Inclusiva da ALBA. Em outubro, a campanha “Mundo Fantasia do Carinho” arrecadou brinquedos e fantasias para crianças em situação de vulnerabilidade, enquanto o “Outubro Rosa” ganhou destaque no programa Assembleia de Carinho na TV, com quadros especiais sobre prevenção e combate ao câncer de mama.
Dando continuidade ao calendário de saúde, o “Novembro Azul” reforçou a conscientização sobre o câncer de próstata. Ao longo do ano, o Instituto também manteve ações em datas tradicionais, como as Trezenas de Santo Antônio, além de iniciativas permanentes de enfrentamento à violência contra a mulher.
ENTREGA DE BRINQUEDOS
Encerrando o ano, em dezembro, o IAC realizou a entrega de brinquedos ao Projeto Criança Feliz e apoiou a campanha global dos “21 Dias de Ativismo”, com a divulgação de conteúdos digitais da advogada Jordana Barreto sobre o enfrentamento à violência contra a mulher, ampliando a conscientização em toda a rede.
Por fim, Tanisia destacou que, além das ações de doação e apoio às instituições — que impactaram profundamente sua visão de mundo —, o grande marco de 2025 foi a estreia do programa Assembleia de Carinho na TV. Mesmo sem experiência prévia como apresentadora, ela assumiu a função com entusiasmo. “Não sou apresentadora, mas amo estar ali. Sou grata pela carta branca que recebi para inovar”, comemorou. Para 2026, a gestora projeta a continuidade desse processo, celebrando o crescimento mútuo entre quem ajuda e quem é ajudado.
Governo do Estado investe R$ 63,5 milhões em obras de contenção de encostas no interior do estado
Foto: Joá Souza/GOVBA
O Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), está executando um conjunto de obras de contenção de encostas em municípios do interior baiano, com investimento total de R$ 63,5 milhões. As ações integram a política estadual de prevenção de desastres naturais e têm como foco a proteção de comunidades que vivem em áreas de alto e muito alto risco geológico.
As intervenções contemplam municípios como Candeias, Eunápolis, Ibicaraí, Ilhéus, Medeiros Neto, Mundo Novo, Nazaré, Simões Filho, Vitória da Conquista e Ipiaú, incluindo obras estruturantes de estabilização de taludes, drenagem de águas pluviais, controle de erosões, além de ações sociais e acompanhamento pós-obra.
Ao todo, cerca de 940 famílias devem ser diretamente beneficiadas pelas intervenções, que fazem parte do Novo PAC e são executadas pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), em parceria com o Ministério das Cidades. O cronograma prevê início das obras em 2026, com execução até 2028.
Para a secretária de Desenvolvimento Urbano da Bahia, Jusmari Oliveira, os investimentos refletem uma escolha clara do Governo do Estado. “O Governo da Bahia fez a opção política de proteger vidas em todo o território baiano, não apenas na capital. Essas obras no interior mostram que o Estado está presente onde o risco é maior, garantindo segurança, dignidade e justiça social para famílias que historicamente viveram à margem da infraestrutura urbana”, afirmou.
Teatro infantil gratuito garante diversão para toda a família no Verão das Artes da Funceb
Foto: Gueu Ramos
Criança, verão e férias escolares são uma combinação perfeita para levar as famílias ao teatro. Por isso, uma boa pedida é participar da programação infantil do projeto Verão das Artes, que abre espaço para meninos e meninas se divertirem e aprenderem de forma lúdica com peças que tratam de diversidade cultural, mitologia afro-brasileira, autonomia, autoestima, família e sonhos. As apresentações acontecem neste domingo, dia 18, no dia 1 de fevereiro, sempre às 16h30, no Largo Pedro Archanjo (Pelourinho).
Neste domingo, dia 18, Menino Rei promete encantar a criançada com o tema da mitologia afro-brasileira. Com direção criativa de Matheus Ambrozi, o espetáculo apresenta a complexidade dos orixás por meio das entidades Nanã e Omolu, mãe e filho. “Aproximar o público infantil da cultura afro-brasileira é um desafio educacional que vem sendo desmistificado com a afirmação da lei 11645/08”, diz o diretor.
“A lei é um marco educacional que nos legitima a continuidade e presença das artes negras e indígenas no ensino escolar, potencializando a produção e difusão da cultura para a infância. A prova disso está no aumento na produção de materiais didáticos e literários, bem como nas artes cênicas. Assim como o Menino Rei, que propaga o reconhecimento da mitologia africana e das danças afro-brasileiras com a dança dos orixás”, acrescenta.
Na montagem, os bailarinos atores nos transportam para um universo onde a fantasia e a realidade se fundem. Cada movimento é uma celebração da diversidade e da identidade, revelando a criança que reside em cada um de nós. Menino Rei é um mergulho profundo nos sentimentos de pertencimento e autoestima, explorando as singularidades do corpo que dança, brinca e é memória.
Através dos corpos em movimento, histórias afrorreferenciadas ganham vida, mostrando a beleza da diversidade e a importância da auto afirmação. Dessa forma, a peça fala de temas como maternidade, adoção parental e integração social, oferecendo uma visão cativante e inspiradora para todas as idades.
No dia 1 de fevereiro, no mesmo horário e local, é a vez de Maria Minhoca assumir o palco com seus palhaços e linguagem circense. Há 27 anos na estrada e responsável pelo Festival Nacional de Teatro Infantil, que acontece há 17 edições em Feira de Santana, a Cia Cuca de Teatro consegue falar de temas considerados adultos de uma forma que também as crianças pequenas se identificam.
Baseada no clássico infantil da literatura teatral brasileira escrito por Maria Clara Machado, o espetáculo conta a história do apaixonado Chiquinho Colibri, que não consegue chegar nem perto da sua amada Maria Minhoca, pois o pai dela, o lorde inglês Mister João Buldog da Silva, já planejou um outro destino para sua filha, casá-la com o vaidoso e ambicioso Capitão Quartel. Com a ajuda de Pedro Fon Fon, seu melhor amigo, Colibri vai viver uma aventura atrás da outra, aprontando mil e uma peripécias para conquistar pai, filha e público de todas as idades.
“A gente brinca um pouco que Maria Minhoca parece o clássico Romeu e Julieta na ótica dos palhaços. Esses temas, quando vieram para o mundo dos palhaços, se tornaram mais leves e mais próximos da criança. Uma criança que assiste Maria Minhoca consegue se identificar naquela situação, se sente um Chiquinho Colibri, torce por ele, grita, avisa quando vai acontecer alguma coisa… Valeu muito a pena a gente trazer essa linguagem para temas considerados adultos porque no mundo da criança tudo é de muito mais fácil resolução, assim como é para o palhaço”, diz Elizete Desteffani-Motté, atriz e produtora da Cia Cuca de Teatro.
“O maior desafio que o palhaço tiver pra resolver, ele vai resolver de forma majestosa, ele vai sempre encontrar uma solução de forma prática, objetiva, sem muitas nuances, que é como a criança faz. Então eu entendo que Maria Minhoca é um espetáculo que chega diretamente nas crianças e nos adultos também, que se sentem crianças nesse momento para levar a vida com mais leveza e sem tantas preocupações”, reforça a artista.
Tanto Matheus quanto Elizete valorizam a iniciativa do Governo do Estado em levar o teatro para espaços no Centro Histórico de Salvador. Para Matheus, estar na programação do Verão das Artes “é estimular o contato do público soteropolitano com o que nos move. Conceber uma obra para a infância é falar de nós, da nossa ancestralidade e do que a cultura local nos imprime ao estar em Salvador, no maior estado negro para além da diáspora africana”.
“É fundamental. A gente entende que as atrações para a infância têm que estar em todos grandes eventos e é por isso que trabalhamos com esse público há 27 anos e realizamos um dos maiores festivais do Brasil justamente para empoderar o teatro para a infância em todo o país”, finaliza Elizete.
O projeto Verão das Artes foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.
A programação realizada pela Funceb ao longo dos meses de janeiro e fevereiro faz parte do projeto Verão da Bahia. Um Estado de Alegria, realizado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA), em parceria com suas unidades vinculadas.
O deputado Hilton Coelho (PSOL) apresentou indicação na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) solicitando ao governador Jerônimo Rodrigues o fortalecimento urgente do Serviço Viver, política pública essencial de atendimento a vítimas de violência sexual. A proposta prevê a realização de concurso público e a contratação imediata de profissionais para recompor e ampliar a equipe multiprofissional, em número suficiente para garantir a expansão e a efetividade do serviço.
A iniciativa integra um esforço conjunto do parlamentar com o vereador Professor Hamilton Assis (PSOL), em Salvador, e denuncia a situação crítica enfrentada pelo Serviço Viver, vinculado à Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades). Criado em 2001, o programa tem como missão acolher e acompanhar vítimas de violência sexual e seus familiares, oferecendo atendimento social, psicológico, psicossocial e médico, além de encaminhamento à rede de proteção.
Apesar de sua importância estratégica, diz Hilton, o Serviço Viver opera atualmente de forma precária e insuficiente. Denúncias recebidas pelo mandato indicam que a equipe multiprofissional praticamente inexiste, com o atendimento sendo sustentado por uma estrutura mínima — em alguns casos, apenas uma profissional de serviço social —, restrita a uma única unidade e funcionando com lista de espera, o que inviabiliza o acesso rápido e humanizado às vítimas.
“O que está em curso é o sucateamento de uma política pública essencial. Não se combate a violência sexual com improviso, nem se acolhe mulheres violentadas sem equipe, estrutura e compromisso do Estado”, afirmou Hilton Coelho.
Os dados reforçam a gravidade do cenário. Segundo levantamento do Senado Federal, 27% das mulheres baianas já sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar, sendo que 23% relataram agressões nos últimos 12 meses. Em Salvador, informações do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania apontam 1.441 casos de violência contra a mulher apenas nos primeiros meses de 2025. Na Bahia, já são 3.273 casos de violações e 395 denúncias neste ano. Em 2024, o total chegou a 41.642 registros, dos quais 13.552 ocorreram na capital.
ACOLHIMENTO COMPROMETIDO
Para especialistas, a existência de uma rede pública estruturada, com atendimento jurídico, psicológico, social e de saúde mental, é decisiva para que as mulheres consigam romper o ciclo de violência e reconstruir suas vidas. A ausência de profissionais, além de comprometer o acolhimento às vítimas, também provoca adoecimento dos trabalhadores, submetidos à sobrecarga e à precarização das condições de trabalho.
A indicação apresentada por Hilton defende que o fortalecimento do Serviço Viver passe, obrigatoriamente, por contratações estáveis via concurso público e por medidas emergenciais que garantam equipes completas e permanentes. “Violência contra a mulher não se enfrenta com discurso. Exige orçamento, profissionais valorizados e políticas públicas funcionando de verdade”, destacou o parlamentar.
Para o deputado, manter o Serviço Viver fragilizado é uma escolha política que custa vidas. “Fortalecer o Serviço Viver é defender o direito das mulheres à vida, à dignidade e à proteção do Estado. O governo precisa agir com urgência”, conclui.
Lavagem do Bonfim reafirma força da cultura afro-brasileira com apoio do Edital Ouro Negro
Foto: Lucas Rosário/Secult-BA
A Lavagem do Bonfim voltou a evidenciar, nesta quinta-feira (15), a profunda conexão entre fé, cultura e identidade afro-brasileira. Ao longo da caminhada entre a Igreja da Conceição da Praia, no Comércio, até a Basílica do Senhor do Bonfim, a presença dos blocos de matriz africana reafirmou a dimensão histórica e simbólica da festa. Com o apoio do Programa Ouro Negro, iniciativa do Governo da Bahia que fortalece a cultura popular e identitária do estado, foi garantida a participação de 11 entidades na celebração de 2026.
Patrimônio imaterial do Brasil, a Lavagem do Bonfim é marcada pelo sincretismo religioso e pela expressividade cultural do povo negro. Ao som dos tambores e cânticos, os blocos afros imprimiram ritmo, ancestralidade e resistência ao cortejo, em exaltação ao papel central das agremiações na construção da festa ao longo das décadas.
RETORNO DO OLODUM – Entre os destaques de 2026 está o retorno do Olodum à Lavagem do Bonfim após 25 anos, momento simbólico para a história da celebração. Com cortejo formado por 120 percussionistas, homens e mulheres, além de dançarinos e alegorias, o bloco voltou a ocupar as ruas do circuito.
De acordo com o presidente Institucional do Olodum, Marcelo Gentil, a apresentação foi possível graças ao apoio do Programa Ouro Negro. “É o retorno a uma antiga tradição. Milton Nascimento disse que o artista tem que ir aonde o povo está, e o povo está na Lavagem do Bonfim. Essa volta se deve exclusivamente ao importante apoio estratégico do Programa Ouro Negro. Sem esse apoio, ficaríamos mais uma vez de fora”, afirmou.
Quando o Olodum entrou no percurso, o ritmo dos tambores arrastou uma multidão, que transformou as ruas do Comércio em um mar de gente embalado pelo som do samba-reggae. Entre os foliões estava a assistente social Jéssica Nascimento, de 40 anos, que acompanha a Lavagem do Bonfim desde criança. “O Olodum faz parte da minha história e da história da cidade. Ver o bloco de volta ao Bonfim depois de tanto tempo é emocionante. A gente sente orgulho e alegria de estar aqui vivendo isso”, disse.
PRESERVAÇÃO – Para quem vive o desfile de perto, o apoio do Ouro Negro tem impacto direto na preservação dessas manifestações. Murilo Câmara, responsável pelos blocos Ki Beleza e Samba & Folia, ressalta que o cortejo é historicamente um espaço de afirmação negra, que tem se mantido graças ao apoio do Governo da Bahia. “A Lavagem do Bonfim sempre foi um desfile étnico feito pelo povo preto. Isso foi se perdendo ao longo do tempo, mas começou a mudar quando o Ouro Negro passou a apoiar. Muitos grupos voltaram a existir e a ocupar esse espaço”.
A mesma percepção é compartilhada por quem acompanha a festa como público. A comerciante Maria da Conceição Santos, de 57 anos, observava a passagem dos blocos e não se conteve na hora de dançar. “A Lavagem do Bonfim sem os blocos não é a mesma coisa. Quando eles passam, a gente sente a energia mudar. É música, é dança, é fé, é tudo junto”, declarou.
O Ouro Negro também carrega a memória das lutas travadas pelos blocos ao longo dos anos. O cantor Tonho Matéria, que está à frente do bloco afro Mangangá Capoeira, o Ouro Negro representa uma virada histórica na relação do poder público com as manifestações de matriz africana. Ele recorda que, até o surgimento da política, esses grupos não contavam com nenhum instrumento de fomento.
“O Ouro Negro nasce da luta e traz uma política de igualdade, que entende os blocos para além do Carnaval. É um trabalho contínuo, pensado ao longo do ano, que ajuda a garantir a preservação dessas expressões culturais”, pontuou.
No caso do Ilê Aiyê, a política dialoga diretamente com uma trajetória marcada pela resistência e afirmação do povo negro. Representante do bloco, Edmilson Lopes, diretor da associação, destacou que o apoio do Ouro Negro possibilita a saída e o retorno de blocos às ruas, ampliando e fortalecendo o papel social dessas instituições. “O programa possibilita que grupos que ficaram muito tempo afastados da festa voltem a ocupar esse espaço, fortalecendo uma ação cultural que também promove desenvolvimento social”, disse.
OURO NEGRO – O Programa Ouro Negro é uma iniciativa do Governo da Bahia que valoriza blocos afro, afoxés, grupos de samba, reggae e blocos de índio. Com esse apoio, a tradição e a ancestralidade são protagonistas no carnaval e nas festas populares. Em 2026, o investimento recorde foi de R$ 17 milhões.
Na Lavagem do Bonfim, o programa reafirmou seu papel como política pública essencial para a valorização, preservação e continuidade das manifestações culturais de matriz africana, fortalecendo a identidade e a memória do povo baiano.
Confira lista dos 11 blocos apoiados pelo Ouro Negro na Lavagem do Bonfim Afrodescendentes da Bahia; Bloco da Saudade; Ilê Aiyê; Ki Beleza; Leva Eu; Malê Debalê; Mangangá Capoeira; Mundo Negro; Olodum; Proibido Proibir; Samba & Folia.