O verão é a estação ideal para o desenvolvimento de diversas culturas agrícolas, a exemplo da soja, milho, feijão, arroz, algodão e café. Isso porque dependem de três fatores essenciais para o bom crescimento das plantas: alta luminosidade, temperaturas elevadas e boa distribuição de chuvas. Para garantir a produtividade no período, os produtores baianos precisam ficar atentos ao clima – a recomendação também é aplicada à pecuária, já que boa parte do território do Estado está situado no semiárido.
De acordo com o diretor de Desenvolvimento da Agricultura, Assis Pinheiro Filho, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura da Bahia (Seagri), o fenômeno La Niña este ano promete clima mais ameno – o fenômeno costuma trazer chuvas para a região Nordeste. “É importante lembrar que, se houver sol e quantidade de chuva ou irrigação adequada, a planta consegue fazer a fotossíntese e se desenvolve melhor, aumentando assim a produção”, pontua.
Para melhor monitoramento do clima, a orientação aos produtores é que estejam sempre informados sobre as previsões meteorológicas para garantir uma melhor produtividade no verão. Uma das ferramentas que podem ser utilizadas é o aplicativo ZARC – Plantio Certo, que facilita o acesso aos dados do Zoneamento Agrícola de Risco Climático, mostrando as melhores datas de plantio de mais de 43 culturas, além de diferentes taxas de riscos por eventos meteorológicos.
Outras estratégias envolvem o plantio de árvores (sistema de integração lavoura-floresta) para sombreamento da área cultivada; o plantio direto, com a palhada contribuindo para a manutenção da umidade do solo; e o melhoramento genético dos grãos, mais resistentes à seca. “A Seagri vai levando esse conhecimento aos agricultores e buscando essas soluções para que possam aumentar a produção”, finaliza Pinheiro Filho.
Adaptação e planejamento na pecuária
Na pecuária, as condições climáticas também seguem como um dos principais fatores de influência na produtividade, como afirma o assessor técnico da Seagri, Paulo Emílio Torres. “Especialmente pelo fato de que cerca de 80% do território do Estado está inserido na faixa do semiárido, realidade que historicamente moldou os sistemas produtivos e a forma de convivência com o clima. Essa característica impõe desafios, mas também consolidou um modelo de produção baseado na adaptação, resiliência e planejamento”, avalia.
Para o gestor, a estratégia mais eficiente para a sustentabilidade da pecuária baiana continua sendo a convivência com o semiárido. “Em anos com maior volume de chuvas, torna-se fundamental que os produtores estejam preparados para ampliar a produção e o armazenamento de alimentos, como silagens, fenos e forragens estratégicas, criando reservas capazes de sustentar os rebanhos em períodos menos favoráveis”, destaca.
Por outro lado, em anos de menor precipitação, essas reservas alimentares, aliadas ao uso de espécies forrageiras adaptadas, manejo adequado dos rebanhos, tecnologias de uso eficiente da água e práticas sustentáveis, tornam-se determinantes para a manutenção da produtividade. “Assim, mais do que reagir às variações climáticas, a pecuária baiana avança ao adotar um modelo baseado no planejamento produtivo baseado na gestão de riscos climático, garantindo maior segurança econômica, ambiental e social para o setor”, declara Torres.





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