Criança, verão e férias escolares são uma combinação perfeita para levar as famílias ao teatro. Por isso, uma boa pedida é participar da programação infantil do projeto Verão das Artes, que abre espaço para meninos e meninas se divertirem e aprenderem de forma lúdica com peças que tratam de diversidade cultural, mitologia afro-brasileira, autonomia, autoestima, família e sonhos. As apresentações acontecem neste domingo, dia 18, no dia 1 de fevereiro, sempre às 16h30, no Largo Pedro Archanjo (Pelourinho).
Neste domingo, dia 18, Menino Rei promete encantar a criançada com o tema da mitologia afro-brasileira. Com direção criativa de Matheus Ambrozi, o espetáculo apresenta a complexidade dos orixás por meio das entidades Nanã e Omolu, mãe e filho. “Aproximar o público infantil da cultura afro-brasileira é um desafio educacional que vem sendo desmistificado com a afirmação da lei 11645/08”, diz o diretor.
“A lei é um marco educacional que nos legitima a continuidade e presença das artes negras e indígenas no ensino escolar, potencializando a produção e difusão da cultura para a infância. A prova disso está no aumento na produção de materiais didáticos e literários, bem como nas artes cênicas. Assim como o Menino Rei, que propaga o reconhecimento da mitologia africana e das danças afro-brasileiras com a dança dos orixás”, acrescenta.
Na montagem, os bailarinos atores nos transportam para um universo onde a fantasia e a realidade se fundem. Cada movimento é uma celebração da diversidade e da identidade, revelando a criança que reside em cada um de nós. Menino Rei é um mergulho profundo nos sentimentos de pertencimento e autoestima, explorando as singularidades do corpo que dança, brinca e é memória.
Através dos corpos em movimento, histórias afrorreferenciadas ganham vida, mostrando a beleza da diversidade e a importância da auto afirmação. Dessa forma, a peça fala de temas como maternidade, adoção parental e integração social, oferecendo uma visão cativante e inspiradora para todas as idades.
No dia 1 de fevereiro, no mesmo horário e local, é a vez de Maria Minhoca assumir o palco com seus palhaços e linguagem circense. Há 27 anos na estrada e responsável pelo Festival Nacional de Teatro Infantil, que acontece há 17 edições em Feira de Santana, a Cia Cuca de Teatro consegue falar de temas considerados adultos de uma forma que também as crianças pequenas se identificam.
Baseada no clássico infantil da literatura teatral brasileira escrito por Maria Clara Machado, o espetáculo conta a história do apaixonado Chiquinho Colibri, que não consegue chegar nem perto da sua amada Maria Minhoca, pois o pai dela, o lorde inglês Mister João Buldog da Silva, já planejou um outro destino para sua filha, casá-la com o vaidoso e ambicioso Capitão Quartel. Com a ajuda de Pedro Fon Fon, seu melhor amigo, Colibri vai viver uma aventura atrás da outra, aprontando mil e uma peripécias para conquistar pai, filha e público de todas as idades.
“A gente brinca um pouco que Maria Minhoca parece o clássico Romeu e Julieta na ótica dos palhaços. Esses temas, quando vieram para o mundo dos palhaços, se tornaram mais leves e mais próximos da criança. Uma criança que assiste Maria Minhoca consegue se identificar naquela situação, se sente um Chiquinho Colibri, torce por ele, grita, avisa quando vai acontecer alguma coisa… Valeu muito a pena a gente trazer essa linguagem para temas considerados adultos porque no mundo da criança tudo é de muito mais fácil resolução, assim como é para o palhaço”, diz Elizete Desteffani-Motté, atriz e produtora da Cia Cuca de Teatro.
“O maior desafio que o palhaço tiver pra resolver, ele vai resolver de forma majestosa, ele vai sempre encontrar uma solução de forma prática, objetiva, sem muitas nuances, que é como a criança faz. Então eu entendo que Maria Minhoca é um espetáculo que chega diretamente nas crianças e nos adultos também, que se sentem crianças nesse momento para levar a vida com mais leveza e sem tantas preocupações”, reforça a artista.
Tanto Matheus quanto Elizete valorizam a iniciativa do Governo do Estado em levar o teatro para espaços no Centro Histórico de Salvador. Para Matheus, estar na programação do Verão das Artes “é estimular o contato do público soteropolitano com o que nos move. Conceber uma obra para a infância é falar de nós, da nossa ancestralidade e do que a cultura local nos imprime ao estar em Salvador, no maior estado negro para além da diáspora africana”.
“É fundamental. A gente entende que as atrações para a infância têm que estar em todos grandes eventos e é por isso que trabalhamos com esse público há 27 anos e realizamos um dos maiores festivais do Brasil justamente para empoderar o teatro para a infância em todo o país”, finaliza Elizete.
O projeto Verão das Artes foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.
A programação realizada pela Funceb ao longo dos meses de janeiro e fevereiro faz parte do projeto Verão da Bahia. Um Estado de Alegria, realizado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura da Bahia (SecultBA), em parceria com suas unidades vinculadas.





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