Quando diversas cidades da Bahia comemorarem este ano o Divino Espírito Santo, geralmente no dia de Pentecostes, a festa vai ter nuances diferentes. Isto porque, desde 28 de janeiro, a manifestação se tornou patrimônio cultural e imaterial do Estado por força da Lei 15.126 /26. O dispositivo legal “não apenas valoriza uma tradição secular, mas também garante sua preservação para as futuras gerações, reforçando o compromisso do poder público com a proteção da memória, da diversidade e da identidade cultural do nosso povo”, avalia o deputado Ricardo Rodrigues (PSD), autor do projeto que originou na medida.
A lei autoriza o Poder Executivo a promover ações de apoio, preservação, incentivo e divulgação da Festa do Divino Espírito Santo, em parceria com associações, entidades religiosas, culturais e a comunidade local. Além disso, permite parcerias visando à realização de pesquisas, projetos, campanhas e eventos que incentivem e promovam a realização da Festa do Divino em nosso Estado.
“A Festa do Divino Espírito Santo é uma das mais antigas e expressivas manifestações religiosas e culturais do Brasil, com raízes históricas que remontam ao período colonial, trazida pelos colonizadores portugueses e incorporada às tradições locais com características próprias em cada região”, explica o deputado. A data é celebrada em diversas cidades brasileiras, exaltando a fé, a solidariedade e a alegria popular. Representa, diz o parlamentar, “um encontro entre o sagrado e o profano, o religioso e o cultural, o tradicional e o comunitário”.
Andaraí, Brotas de Macaúbas, Barreiras, Bom Jesus da Lapa, Cachoeira, Palmas do Monte Alto, Poções e Salvador são cidades baianas que mantêm forte a tradição de festejar o Divino Espírito Santo. Na ocasião são realizados cortejos, missas, procissões, folias, levantamento de mastros, coroação do Imperador do Divino, distribuição de alimentos, além de músicas, danças, culinária típica e expressões populares que fortalecem os laços de fraternidade e identidade cultural.
“O valor simbólico da Festa transcende a religiosidade, configurando-se como verdadeira expressão da memória coletiva e da identidade do povo brasileiro”, avalia Ricardo Rodrigues. Do ponto de vista cultural, segundo o deputado, a Festa do Divino constitui um testemunho vivo da diversidade brasileira, mantendo elementos centrais que lhe conferem identidade, ao mesmo tempo em que se adapta e se atualiza, permitindo a participação das novas gerações e garantindo sua vitalidade.
“Além de sua relevância histórica e comunitária, a Festa também desempenha importante papel econômico e turístico, movimentando o comércio, a gastronomia, o artesanato e atraindo visitantes interessados na riqueza de sua tradição”, calcula, defendendo que “esse aspecto a consolida como manifestação cultural de grande valor, unindo preservação do patrimônio imaterial e desenvolvimento sustentável”.
Reportagem: Paulo Menezes
Edição: Franciel Cruz





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