A concessão póstuma da Comenda 2 de Julho a Cleriston Pereira da Cunha, o Clezão, proposta pelo deputado Dr. Diego Castro (PL), converteu-se em um verdadeiro ato político da direita baiana. Clezão morreu aos 46 anos, em 20 de novembro de 2023, dentro da Penitenciária da Papuda, onde se encontrava à disposição da Justiça, acusado de ter participado dos atos antidemocráticos daquele ano. Durante a sessão, o deputado federal Capitão Alden (PL) anunciou que a votação do veto do presidente Lula ao projeto de lei da dosimetria foi pautada para o próximo dia 30.
Para homenagear “Clezão, um herói brasileiro”, Dr. Diego reuniu os principais representantes do seu partido na Bahia, como o presidente do PL, João Roma; obteve mensagens de personalidades nacionais, e representantes de 47 municípios baianos, além de Aracaju (Sergipe), Val Paraíso (Goiás) e Maceió (Alagoas). De Brasília, vieram a esposa Edjane e as filhas Ana Luíza e Kézia.
Baiano de Feira da Mata, Clezão vivia em Brasília, onde constituiu família e tinha comércio. Mesmo na prisão, ele recebia remédios controlados para a diabete e hipertensão e era acompanhado por uma equipe médica, mas sofreu infarto no pátio, enquanto tomava banho de sol.
“Esse momento é um momento histórico não só para a nossa Bahia, mas para o nosso Brasil e para a luta da verdadeira liberdade da nossa pátria”, disse Dr. Diego ao iniciar seu discurso de saudação. “Nossos heróis não morreram de overdose, diferentemente dos heróis dos nossos adversários”, sentenciou, afirmando que seus heróis morreram dando a vida, “derramando o seu sangue, derramando o que de mais precioso tem para defender um bem que, sem o qual, não podemos falar em Estado Democrático de Direito, chamado liberdade”.
Diante da ampla representatividade da direita, ele considerou que aquele ato ia além da entrega da mais alta honraria do Legislativo. “Essa homenagem é o reconhecimento e a reescrita da verdadeira história: Clezão não foi terrorista. Ele é um herói”, agora oficialmente reconhecido pelo Estado da Bahia. “Os livros didáticos do amanhã não vão ter espaços para contar a história que o sistema quer”.
SIMBOLOGIA
Dirigindo-se aos familiares (também presentes a mãe Ana e o irmão Cristiano) garantiu que “vocês hoje são o nosso maior símbolo de luta pela liberdade. A vida do pai vocês, Luíza e Kézia, do seu esposo, Ediane, não foi em vão, a luta que ele travou não foi em vão, o sangue de Clezão clama por justiça”. Ele considera obrigatório não deixar o nome de Clezão “cair no esquecimento”.
Sofia Cristina Pinto de Carvalho, 9 anos, veio do Sul da Bahia com o pai somente para a sessão e foi responsável pelas duas peças musicais apresentadas. Um vídeo foi apresentado contando a história do homenageado e outros três trouxeram mensagens dos deputados Gustavo Gayer e Nikolas Ferreira, de Goiás e Minas Gerais, respectivamente, e de Magno Malta, baiano de Macarani e senador pelo Espírito Santo.
Renata Massa ocupou a tribuna para contar a visão de quem foi preso pelo 8 de janeiro. Ela se emocionou ao lembrar do apoio recebido de Alden e Dr. Diego, os primeiros parlamentares do país a entrar na Papuda para visitar os presos. Ela contou a emoção de ter podido abraçá-los, emocionando ambos, que se levantaram e foram abraçá-la novamente. Massa contou também que foi João Roma quem lhe acolheu em sua volta à Bahia.
Alden elencou da tribuna números loquazes sobre a violência no estado, entre os quais: 110 mil assassinatos nos últimos 20 anos e 39 mil feridos a bala no mesmo período. Ele disse que tem percebido eleitores da direita intimidados pelas notícias de prisão de autoridades da direita por se pronunciarem. Por isso, ele disse que esse é um momento histórico, em que não basta o discurso, mas vai ser necessário um posicionamento firme dos direitistas.
João Roma, por sua vez, considerou a sessão de ontem como um resgate histórico ante a injustiça a um homem que não cometeu crime algum, elogiando a iniciativa de Dr. Diego. “Todos nós sabemos com muita clareza que o que vivemos no Brasil hoje não é uma justiça plena”, acusou, acrescentando que “aqueles que deveriam zelar pela Constituição se utilizam do próprio texto constitucional para alimentar seus egos, seus interesses particulares e exercer a crueldade, como ocorreu com Clezão e como ocorre hoje com Bolsonaro”. Ele criticou ainda a “insegurança jurídica” que se vive no Brasil.
A comenda foi entregue à filha Ana Luíza, que está se lançando na política e disse em seu pronunciamento: “Tentaram calar meu pai, mas não vão conseguir me calar”. Ao lado dela, estavam a avó, a mãe e a irmã. Falaram ainda Raíssa Soares, ex-secretária da Saúde de Porto Seguro, Rafael Satiê, vereador do Rio de Janeiro e Giuliano Argolo, ativista político.
A mesa dos trabalhos contou também com o vereador Sandro Bahiense, da Câmara Municipal de Salvador; o vereador do município de Feira da Mata, irmão de Clezão, Cristiano Pereira da Cunha; o ex-deputado estadual capitão Samuel, de Sergipe, o vice-prefeito de São Desidério, da Bahia, Carlos Magno; e o presidente do PL de Eunápolis, Ricardo Teixeira.
Reportagem: Paulo Menezes
Edição: Franciel Cruz





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