Angelo Almeida aplaude o centenário de Milton Santos


O deputado Angelo Almeida (PT) protocolou, na Assembleia Legislativa, moção de aplausos pelo centenário de nascimento do educador e geógrafo baiano Milton Santos, comemorado no último domingo, 3 de maio.

“Há 100 anos nascia o baiano que mudou a forma de entender o mundo”, salientou o parlamentar, ressaltando a trajetória de vida do educador baiano de Brotas de Macaúbas. Ele informou que Milton Santos aprendeu a ler aos 4 anos e aos 13 já dava aulas de geografia e aritmética para os colegas.

No documento, Almeida lembrou a formação do homenageado, graduado em Direito pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), mas que optou pela Geografia, foi professor em Ilhéus e Salvador, desenvolveu a carreira acadêmica e de pesquisador e também dava aulas de Geografia Humana na Universidade Católica de Salvador (UCSal) e era professor catedrático da mesma disciplina na Ufba, onde criou o Laboratório de Geociências.

Também dirigiu a Imprensa Oficial da Bahia e presidiu a Fundação Comissão de Planejamento Econômico do Estado, escreveu para o jornal A Tarde, do qual foi correspondente na zona cacaueira do Estado e dez anos depois, em 1958, ao concluir o doutorado em Geografia pela Université de Strasbourg, na França – com a tese: O Centro da Cidade de Salvador -, já ocupava o cargo de redator principal do periódico baiano. “As reportagens e artigos de Milton Santos para o jornal abordavam desde as condições climáticas da Bahia, até a literatura, passando pelas notícias da zona cacaueira, policultura, desenvolvimento urbano e social, matriz energética e economia”, contextualizou.

Ainda jovem, segundo o legislador, Milton Santos surpreendeu o país com obras como O Povoamento da Bahia e Zona do Cacau, “anunciando um geógrafo que pensava o território a partir das desigualdades brasileiras”. Em 1964, após se exilar do Brasil por conta do golpe que levaria à ditadura militar, Milton Santos iniciaria a carreira acadêmica internacional, lecionando na França, Canadá, Estados Unidos, Peru, Venezuela, Tanzânia e Inglaterra. “No exílio, publicou livros fundamentais que projetaram sua voz como uma das mais originais da geografia crítica internacional. Voltou ao Brasil em 1977 e, após anos de resistência, conquistou a cátedra de Geografia Humana na UFRJ e depois na USP, onde se tornaria Professor Emérito”, frisou.

O petista destacou o papel de Milton Santos ao revolucionar a geografia, colocando o espaço como instância social ativa, inseparável da técnica, do tempo e da política. “Criou conceitos que viraram ferramentas para entender o Brasil e o mundo: ‘espaço banal’, ‘meio técnico-científico-informacional’, ‘globalização perversa’ e ‘território usado’. Em Por uma Geografia Nova, de 1978, rompeu com a geografia descritiva e propôs uma ciência comprometida com a cidadania”, explicou.

Angelo Almeida louvou o reconhecimento do geógrafo para além das fronteiras brasileiras, lembrando que foi o único latino no século XX a receber o Prêmio Vautrin – considerado o “Oscar da Geografia”, e os títulos de Doutor Honoris Causa em 12 universidades brasileiras e sete estrangeiras.
“Mesmo laureado, manteve a coerência: usou os palcos internacionais para denunciar a ‘globalização como fábula’ e defender uma outra globalização, mais humana. Milton Santos dizia que ‘a maior coragem, hoje, é pensar’, e ele pensou até seu último suspiro”, afirmou.
Para o deputado, Milton Santos foi um dos pensadores mais influentes do século XX e seus livros sobre a segregação do espaço social para pobres e negros é uma ideia sem precedentes. “Sua obra permanece crítica e atual. É vista como uma ferramenta emancipadora, estimulando grupos diversos a compreender e transformar a realidade social a partir do território”, reconheceu.

Reportagem: Rita Tavares 
Edição: Franciel Cruz



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