A rica e complexa história do sertão baiano está prestes a se transformar em um vetor de desenvolvimento regional. Tramita na Assembleia Legislativa da Bahia o projeto de lei que institui a “Rota Turística, Histórica e Cultural do Cangaço”. Apresentada pelo deputado Bobô (PC do B), a iniciativa propõe mapear e estruturar os municípios baianos que guardam vínculos diretos com o fenômeno histórico do cangaço, transformando narrativas, tradições e acervos em atrativos turísticos consolidados.
Na justificativa da proposição, o parlamentar destaca que o cangaço é um capítulo fundamental da formação social nordestina e precisa ser compreendido de forma estratégica. “A criação da rota tem como objetivo combater a subutilização do patrimônio cultural da região e jogar luz sobre áreas historicamente invisibilizadas do estado”, disse. A medida atua em frentes ao incentivar o turismo ecológico, histórico e pedagógico, tirando o peso exclusivo do litoral e levando visitantes para o interior.
Com isso, a expectativa é fomentar o desenvolvimento sustentável ao estimular pequenos empreendedores, a rede hoteleira local, o artesanato e a gastronomia sertaneja, promovendo simultaneamente a educação patrimonial nas redes de ensino.
Para tirar a rota do papel e garantir que os visitantes tenham uma experiência imersiva, o deputado prevê uma série de ações de infraestrutura e capacitação. Entre as medidas estão a implantação de sinalização turística adequada, a criação de mapas físicos e digitais do roteiro e a profissionalização de guias de turismo e agentes culturais locais. Além disso, a proposta aponta para a promoção de feiras, festivais e eventos temáticos para fortalecer o calendário baiano, bem como a celebração de parcerias e convênios entre municípios, universidades, instituições culturais e a iniciativa privada.
A estruturação inicial do projeto abrange prioritariamente 24 cidades que possuem forte relevância histórica, geográfica e turística ligada aos acontecimentos do cangaço. O roteiro inclui os municípios de Paulo Afonso, Queimadas, Curaçá, Santa Brígida, Glória, Chorrochó, Macururé, Jeremoabo, Pedro Alexandre, Coronel João Sá, Canudos e Euclides da Cunha. Completam a lista as cidades de Senhor do Bonfim, Andorinha, Campo Formoso, Mairi, Monte Santo, Tucano, Cícero Dantas, Uauá, Morro do Chapéu, Serrolândia, Ribeira do Pombal e Jaguarari. O projeto prevê flexibilidade, permitindo que o Poder Executivo amplie e atualize essa relação futuramente mediante critérios técnicos e históricos.
Reportagem: Joana Vitória
Edição: Franciel Cruz





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