A Assembleia Legislativa da Bahia iniciou, nesta quarta-feira (6), em Salvador, um dos mais relevantes debates sobre a preservação dos jumentos no Brasil. O evento ocorre no Parlamento baiano e reúne especialistas, autoridades e representantes da sociedade civil até esta sexta-feira (8), com o objetivo de debater soluções para a proteção e o futuro da espécie.
O abate de jumentos no Brasil, impulsionado pela demanda chinesa por peles, utilizadas na produção do “ejiao” (gelatina medicinal tradicional chinesa feita da pele de jumentos, usada para tratar anemia, insônia e aumentar a vitalidade), provocou a redução de cerca de 94% da população da linhagem nas últimas três décadas, colocando os animais em risco de extinção até 2030. Concentrado na Bahia, o abate foi proibido pela Justiça Federal em abril de 2026, com base em riscos de extinção e denúncias de maus-tratos.
O encontro reúne pesquisadores de instituições como a Universidade Federal da Bahia, a Universidade de São Paulo e a Universidade Federal do Paraná, além de representantes da sociedade civil, autoridades públicas, produtores e estudantes. A proposta é discutir alternativas que conciliem a preservação da espécie, a sustentabilidade e o desenvolvimento econômico.
Ao longo dos três dias, a programação inclui painéis sobre saúde e manejo dos animais, biotecnologia, comércio internacional e impactos ambientais. Também estão previstas discussões sobre soluções práticas voltadas à realidade brasileira.
O evento será encerrado com uma visita técnica à Fazenda Manuino, onde vivem animais resgatados após operação do Ministério Público do Estado da Bahia. A iniciativa deve resultar ainda na elaboração de um documento com recomendações para políticas públicas e estratégias de longo prazo.
Presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Bem-Estar Animal na ALBA e autor do Projeto de Lei nº 24.465/2022, que proíbe o abate de jumentos na Bahia, o deputado José de Arimatéia (Republicanos) destacou a importância do encontro. Segundo ele, o debate é fundamental diante da redução da população de jumentos, especialmente no Nordeste, e reforça a necessidade de medidas que garantam a proteção da espécie.
“A realização deste workshop coloca a Bahia no centro de uma discussão urgente. Precisamos construir soluções conjuntas que assegurem não apenas a preservação dos jumentos, mas também alternativas sustentáveis para as comunidades envolvidas. Trata-se de um animal de suma importância histórica e cultural, inclusive citado na Bíblia, quando foi utilizado pelo Senhor Jesus em um dos momentos mais simbólicos de sua trajetória”, afirmou.
Representando a The Donkey Sanctuary, Patrícia Tatemoto ressaltou o cenário crítico enfrentado pela espécie. “Os jumentos estão desaparecendo em um ritmo alarmante. É fundamental que haja cooperação internacional e políticas públicas eficazes para interromper esse ciclo de exploração”, disse. Ela declarou ainda que não existe prova científica que corrobore o uso medicinal do “ejiao”, além de existir outras maneiras de obtenção dessa matéria prima.
Já Gislane Brandão, da Frente Nacional de Defesa dos Jumentos, enfatizou a importância da mobilização social. “A luta pela proteção dos jumentos é uma causa coletiva. Precisamos ampliar a conscientização e fortalecer as ações de defesa em todo o país”, destacou.
Ao final do primeiro dia workshop, a expectativa é que as propostas debatidas contribuam para o fortalecimento de políticas públicas e ampliem a proteção dos jumentos em todo o Brasil, consolidando caminhos mais eficazes para garantir o bem-estar e a preservação da espécie.
Reportagem: Ascom
Edição: Franciel Cruz





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